Tensão em Brasília aumenta com divulgação de detalhes da delação dos executivos da JBS

FILE - In this May 8, 2017, file photo, Brazil's President Michel Temer listens in during a event at the Brazilian Institute of Research in Brasilia, Brazil. Temer is denying a report that he endorsed the alleged bribing of a jailed former congressman to keep him quiet. The allegation made in a Globo News report on Wednesday, May 17, represents a potentially significant blow to President Temer. His administration has lurched from one crisis to another since he took office just over a year ago. (AP Photo/Eraldo Peres, File) ORG XMIT: XLAT102
Eraldo Peres / Associated Press

A turbulência política nacional se intensifica à medida que são divulgados novos trechos da delação de Joesley Batista, dono do grupo JBS. Personagens já citados se veem cada vez mais enredados nas tramas relatadas pelo empresário, mas surgem outros nomes, como os dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e os ex-ministros Guido Mantega e José Serra (PSDB-SP), acusados de terem recebido benefícios milionários. O clima de instabilidade aumenta a cada conteúdo divulgado e também por não se saber o que ainda pode sair deles.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin decidiu que o presidente Michel Temer (PMDB), o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) serão investigados em conjunto no mesmo inquérito por suspeita de três crimes: corrupção passiva, obstrução à investigação de organização criminosa e participação em organização criminosa. O inquérito ganhou o número 4.483 e teve o conteúdo liberado integralmente para qualquer pessoa que quiser consultá-lo.

A tensão é tanta nos gabinetes presidenciais, que Temer cancelou agendas e a toda hora se reunia com aliados e assessores para tentar desenhar os próximos passos. Fala-se até na necessidade de que ele faça um novo pronunciamento. Para piorar o clima, as principais lideranças e interlocutores do presidente no Congresso se calaram. Até o momento, nenhum dos líderes do governo na Câmara ou no Senado saiu em defesa de Temer.  Líderes do PMDB, PSDB e DEM, principais partidos aliados, também se calaram ou, quando falaram, adotaram discurso de cautela. De que é preciso esperar a apuração das denúncias antes de tomarem qualquer decisão.

Mas uma nova rodada de divulgação de gravações, desta vez do depoimento de Ricardo Saud, diretor de relações institucionais da holding J&F, grupo controlador do frigorífico JBS, complicou ainda mais o presidente de República.

Principal braço direito de Joesley Batista, dono da JBS, nas negociações com políticos do governo ou da oposição, Saud declarou que Temer teria recebido valores próximos a R$ 15 milhões em pagamentos de vantagens indevidas na campanha eleitoral de 2014. A quantia teria como contrapartida atuação favorável aos interesses do grupo. O pagamento teria relação com o apoio do PMDB à reeleição de Dilma. “Eu trouxe o PMDB inteiro, como é que não tem nada para mim?”, teria dito Temer segundo relato do executivo.

Saud ainda falou da ação em curso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação do mandato do peemedebista. Na delação, o executivo disse que as campanhas de Dilma Rousseff e Michel Temer, candidatos a presidente e vice, eram uma coisa só.

O diretor de relações institucionais da holding contou também que Aécio Neves recebeu R$ 80 milhões para campanha e “continuou pedindo mais”. Saud não deu detalhes sobre a forma do repasse ao tucano, mas disse que as “questões” eram na maioria das vezes “ilícitas”.

LAVA-JATO Ao pedir a abertura de inquérito contra Temer e Aécio, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot afirmou que ambos têm atuado para impedir o avanço das investigações da Lava-Jato. “Verifica-se que Aécio Neves, em articulação, entre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava-Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio do controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos”, escreveu Janot, em despacho assinado em 7 de abril.

 

Fonte:http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2017/05/20/interna_politica,870460/tensao-brasilia-aumenta-divulgacao-de-detalhes-da-delacao-jbs.shtml