Supremo determina perícia oficial nas gravações de Joesley

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Foto: Felipe Frazão/Estadão

A apresentação da perícia contratada pelo presidente Temer não muda em nada a determinação do Supremo Tribunal Federal de que seja feita uma análise oficial das gravações. E é esse laudo que dará a resposta final se as gravações de Joesley Batista com o presidente Michel Temer sofreram ou não alterações para mexer no conteúdo.

A validade de uma prova importante. A defesa de Michel Temer fez 15 perguntas à perícia, entre elas: se houve supressão de palavras ou alteração do sentido real da conversa; se ruídos podem ter sido incluídos para mascarar edições; e se a frase “tem que manter isso, viu”, dita pelo presidente Temer, é imediatamente precedida por qual frase de seu interlocutor?

Joesley Batista: Isso, isso, [inaudível] o negócio dos vazamentos, o telefone lá do Eduardo, com Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós. E não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. Como é que eu, o que que eu mais ou menos consegui fazer até agora? Eu tô de bem com o Eduardo.
Michel Temer: Tem que manter isso, viu.
Joesley: Todo mês.
Temer: [inaudível]
Joesley: Também… Eu estou segurando as pontas, estou indo.

Segundo o Ministério Público, o procurador Rodrigo Janot não tem dúvidas sobre a autenticidade do áudio. No pedido de abertura de inquérito, o procurador diz que o diálogo mostra que o empresário estava pagando propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, com anuência do presidente da República, e que estava claro que o interesse desses pagamentos era evitar que o ex-deputado revelasse fatos comprometedores em uma possível delação.

O Ministério Público também vê sinais claros de que, em outro trecho da conversa, Joesley contou ao presidente que estava segurando juízes e um procurador. E Temer deu uma resposta positiva.

Joesley: Aqui, eu dei conta de um lado do juiz, dar uma segurada. Do outro lado, um juiz substituto que é um cara que ficou.
Temer: Está segurando os dois…
Joesley: É, estou segurando os dois.
Temer: Ótimo, ótimo!

A Procuradoria-Geral da República também mandou perguntas à perícia sobre a gravação, entre elas, se há montagens, trucagens, adulterações ou outras alterações na gravação que indiquem manipulação fraudulenta do áudio, e se a conversa apresenta coerência lógica e contextualização sobre o tema abordado entre os interlocutores.

No fim de semana, o jornal “Folha de S.Paulo” disse que o áudio entregue por Joesley Batista tem 50 edições, segundo a análise de um perito.

O jornal “O Estado de S.Paulo” apontou 14 pontos de edição na gravação de Joesley com Temer. Mas os peritos ouvidos pelos dois jornais atestaram que os pontos que sustentam o inquérito não estão editados.

O Jornal Nacional ouviu a opinião de dois peritos, que chegaram à conclusão de que toda a gravação está intacta, sem edições.

A J&F, que controla a JBS, já disse que a gravação não foi editada e Joesley Batista, no depoimento aos procuradores, contou que gravou o presidente da República para ter material para a delação.

Joesley: Eu particularmente registrei áudio, porque eu achei que seria importante, enfim, estar registrando aquela reunião.

Nesta segunda-feira (22), a Polícia Federal deu uma informação nova. Em vez de um, são dois gravadores usados por Joesley Batista para registrar as conversas que entregou na delação. Ainda não se sabe qual o conteúdo de cada um deles, mas a perícia será feita na gravação e nos dois equipamentos.

A Polícia Federal confirmou que um deles foi entregue no fim da tarde pela Procuradoria-Geral da República. O segundo gravador está fora do país e será entregue na terça-feira (23) pela defesa de Joesley Batista.

Especialistas nesse tipo de perícia disseram ao Jornal Nacional que, assim que os gravadores chegarem ao Instituto de Criminalística da Polícia Federal, serão encaminhados ao setor de perícias em audiovisual e eletrônicos, onde ficam os peritos especializados em eventos multimídia, ou seja, gravações e equipamentos.

Eles vão checar a integridade da gravação, as características dos equipamentos, quem manuseou, e vão copiar a gravação bit a bit, ou seja, exatamente igual para um computador, onde será submetida a testes técnicos.

Os peritos vão estudar os barulhos do ambiente, que podem ser ruídos de fundo na conversa ou até do próprio gravador.

A perícia pode apontar quatro caminhos: não teve edição; teve edição; teve interrupção, mas não edição (por exemplo, o som do gravador no bolso é uma interrupção, mas não manipulação de conteúdo); ou somente alguns trechos são válidos e não sofreram manipulação.

Ou seja, a perícia pode validar trechos decisivos, mesmo que conclua que houve edição em outros.

É uma análise trabalhosa que, segundo peritos, pode durar de 15 a 30 dias. Oficialmente, não há previsão de conclusão.

No fim de semana, Eduardo Cunha divulgou uma carta escrita à mão na cadeia, em que negou ter recebido propina de Joesley Batista em troca do silêncio. Nesta segunda-feira (22), a defesa do ex-deputado não quis se manifestar.

A assessoria do presidente Michel Temer voltou a dizer que o episódio sobre a suposta compra do silêncio de Eduardo Cunha nunca existiu porque, segundo a assessoria, o presidente nunca comprou o silêncio de ninguém, nem tentou obstruir a Justiça ou fez qualquer ação contra o Judiciário.

Sobre as declarações de Joesley Batista a respeito de um juiz e de um procurador, a assessoria de Temer também repetiu que o presidente não acreditou na narrativa por considerar que o empresário é um conhecido falastrão.

 

Fonte:http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/05/supremo-determina-pericia-oficial-nas-gravacoes-de-joesley.html